Christian Resende é um empresário da cidade de Belo Horizonte, que resolveu enfrentar o desafio de aderir ao mercado nerd/geek da atualidade. Atua com uma loja física na cidade e um loja virtual que distribui seus produtos para todo o país. O empresário se aventura a expandir seu negócio com foco neste assunto, essa é a Ploft Store.

Assim, resolvemos fazer esta interessante entrevista, da qual nos explicará como este mercado funciona e iremos entender as dificuldades em vários aspectos diferentes. Algo que o consumidor muitas vezes não leva em consideração, e acaba culpando as lojas de suas frustrações. Vamos começar!

“Apesar de profissional, a relação estabelecida é bem próxima da amizade e o grau de fidelização dos clientes é altíssimo.”

Olá Christian, para começar gostaríamos de saber o que o motivou a explorar este campo de coleção e artigos nerds, como action figures e HQs, produtos do qual você anda investindo muito e traz itens a preços bem competitivos. Fale-nos sobre este começo.

Resposta – Olá mosqueteiros! Bem, na verdade eu sempre adorei brinquedos, games, desenhos e quadrinhos. Algo bem previsível para quem faz parte deste universo nerd cuja infância se deu nos anos 80. Nos anos 2000 quando este segmento de artigos de coleção começou a se expandir rapidamente via surgimento de novas fábricas, via aumento no número de franquias licenciadas,  eu fui acompanhando o mercado ainda sob a ótica de consumidor e fã.

Quando montamos a Ploft Store eu rapidamente busquei os distribuidores que já traziam estes produtos para o Brasil e também firmei parcerias com as principais empresas de brinquedos e jogos na época. Para cada tipo de produto que disponibilizamos na loja é necessário um investimento relativamente alto, equivalente à uma loja especializada.

Em suma, para vendermos HQs tivemos de investir o equivalente à uma pequena comic shop e assim sucessivamente para as linhas de board games, card games, artigos colecionáveis, produtos geek, brinquedos e pelúcias. Por conta disto somente no segundo semestre de 2015 conseguimos ter todo esse mix na loja com uma boa clientela para cada um destes segmentos de produto.


E você gosta deste perfil de cliente? Acha que é satisfatório quando eles vem a sua loja e saem com suas compras?

R – Atualmente eu não fico muito na loja de Belo Horizonte, mas posso dizer que ao longo destes últimos 3 anos conseguimos montar uma base de clientes muito bacana. Apesar de profissional, a relação estabelecida é bem próxima da amizade e o grau de fidelização dos clientes é altíssimo. Infelizmente a manutenção de um negócio como este não depende do estabelecimento físico já que grande parte das vendas ocorre pela web, isto é péssimo, já que existe uma parcela deste público consumidor que valoriza muito a relação interpessoal e a experiência pessoal em um espaço físico.


É muito difícil a distribuição destes artigos? Falo tanto dos actions e das HQs, muita coisa é importada, é difícil o acesso a tais fornecedores? E como é a tributação desses produtos?

R – Não é difícil acessar os distribuidores, porém são todos mercados de nicho portanto os fornecedores são muito pequenos se comparados aos de brinquedos, por exemplo. Isto influi diretamente na capacidade destas empresas de oferecerem crédito (prazo de pagamento para o lojista) e demais aspectos da política comercial que ajudem o varejo a se estabelecer enquanto parceiro, como no caso de margens muito baixas o que aumenta significativamente o risco do negócio.

Isto explica porque este mercado tem tantos estabelecimentos sumindo de uma hora para a outra e os principais players do varejo estão na web onde os custos operacionais são extremamente inferiores aos de um estabelecimento físico. O imposto pago pelo varejista é referente à diferença de alíquota do ICMS já que se tratam de itens importados onde normalmente apenas 4% é retido na fonte. Apenas as HQs tem isenção por conta de lei específica.

“Nestes segmentos o cliente definitivamente não é rei”


Ainda Falando especificamente sobre quadrinhos, você realmente acha que este mercado está aquecido? Quem vende mais? Os tradicionais de Super Heróis ou os mangás?

R – O mercado de HQs por incrível que pareça ainda não é um grande mercado de massa. Isto porque os super-heróis não são feitos para crianças e sim para adultos o que diminui o tamanho do mercado. O mesmo raciocínio vale para os mangás. Em conversa com um de nossos clientes, que é ilustrador da Maurício de Souza Produções, ele comentou que a franquia turma da Mônica domina mais de 85% de todo o mercado nacional de Hqs.

A conclusão de nossa conversa é que isto é péssimo para o setor de quadrinhos, pois demonstra que o mercado não está crescendo significativamente para os outros lados ao ponto de comerem uma fatia maior deste bolo. Em termos de faturamento os magás acumulam montantes menores pois são edições simples em p&b o que diminui o custo de impressão, enquanto os super-heróis são lançados em formatos de revista e depois encadernados como livros com preços mais altos. Por conta disto o faturamento com os selos Marvel e DC é maior, porém temos investido muito nos mangás por conta do alto giro e fidelidade dos leitores.


Do ponto de vista mercadológico qual sua visão futura sobre este campo?

R – Honestamente não vejo isto com bons olhos no caso do Brasil. A dependência de poucos ou às vezes apenas um fornecedor/distribuidor em determinado segmento, cria uma relação de poder desequilibrado. Nestes segmentos o cliente definitivamente não é rei. As lojas não são vistas como parceiros de negócios e sim como um estabelecimento no qual o fornecedor está prestando um enorme favor ao fornecer seus maravilhosos produtos.

O risco fica todo na mão do lojista e não existe preço sugerido. O preço sugerido coloca todas as lojas no mesmo patamar e quem ganha é o consumidor, pois neste caso vende mais quem tem o melhor atendimento. O fator de escolha do cliente deixa de ser o preço já que é o mesmo em todo lugar.

Mesmo nas HQs que tem preço sugerido (preço de capa) as editoras fazem vista grossa para os grandes varejistas que vendem com preços as vezes abaixo do custo das demais lojas do ramo. Isto é péssimo pro mercado e em todos os casos o que vemos é um número cada vez menor de estabelecimentos dominando todo aquele segmento.

Com menos opções de lojas o consumidor vira refém do processo. Se ele não quer comprar neste preço e nestas condições é melhor sair da frente, pois tem outra pessoa logo atrás querendo comprar o mesmo produto. Este mercado é um dos poucos onde o consumidor final não tem poder sobre o canal de distribuição. Uma pena.


Tem algo a dizer sobre sua loja e o algo para nossos leitores do site dos Mosqueteiros Cyber?

R- Quero convidar a todos os leitores do Mosqueteiros Cyber a conhecerem a nossa loja virtual e para aqueles que moram em Belo Horizonte e região, que venham nos visitar. Nosso espaço ainda é pequeno, mas temos um carinho muito grande por aquilo que fazemos e tentamos fazer o melhor possível dentro de nossas possibilidades. Muito obrigado aos mosqueteiros pela oportunidade e aos leitores pelo interesse na leitura desta entrevista.

Muito obrigado Christian, cliquem no link para acessarem o site, e vejam o vídeo que já fizemos na loja para conhecerem toda a estrutura, o conhecimento e claro os produtos que a Ploft Store oferece: www.ploftstore.com.br


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  • Adriano José Gonçalves

    O Christian é muito bem esclarecido mercadologicamente. Ele sabe posicionar a loja e trabalhar os nichos com um mix de produtos variados, e na maioria dos casos pouco acessível no mercado.